O paradoxo da torcida organizada: por que apoiar um governo não me torna cego
Dias atrás, abri a caixa de entrada do blog e me deparei com a seguinte mensagem de um leitor: “Não estou te entendendo. Você não é de esquerda? Seus posts parecem mais críticos do que apoiadores” . Respirei fundo. Sorri. Ali estava, sintetizado em duas frases, o grande mal do debate político contemporâneo: a transformação da ideologia em torcida organizada. O comentário dele partia de uma premissa clara: se você veste a camisa do time, você deve aplaudir o gol, o cartão vermelho, a contratação errada e até o frango do goleiro. Para esse leitor, a política não é um campo de disputa social complexo. É um Fla-Flu. E se eu critico as concessões que o governo que apoiei está fazendo no mandato, eu virei a casaca. Eu gostaria muito de concordar com essa visão romântica. Aliás, eu concordaria plenamente com ela... Se o mundo em que vivemos fosse o País das Maravilhas, onde as decisões são movidas por pureza moral e fadas madrinhas, e não por negociações brutas de orçamento e governabilidade....